Despertadores

Hoje o céu amanheceu negro.

Os despertadores tocaram como tocam todos os dias, mas ninguém acreditou que já era manhã.

– Relógio maldito! – e os atiravam ao chão.

(Hoje bilhões de despertadores precisam de conserto.)

Às nove horas não se via na rua as pernas apressadas, correndo em direção aos escritórios. Só havia a calma dos ébrios, com seus passos arrastados, caminhando sem rumo com suas garrafas vazias por uma noite infinita.

Passava das onze quando alguém, provavelmente entediado de tanto dormir, percebeu que algo estranho acontecia:

– Mamãe, mamãe! Onde está o sol?

Na cama, ainda com sono, sua mãe esticou o braço e abriu um pouco a persiana:

– Encoberto, meu filho, como em todas as noites.

– Mas e a lua, onde está a lua? Também não a vejo!

– Atrás das nuvens, querido. Agora vá, volte para seu quarto e durma.

Amanhã serão novamente culpados os despertadores.

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